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Aos 13 anos, Kaíque* não conhecia
as letras do alfabeto.

Ele chegou ao Rizomas por indicação da escola do bairro. Morador do Jardim Macedônia, cresceu em isolamento. A mãe passou anos sem sair de casa e não permitiu o convívio dos filhos com outras pessoas.

Kaíque não lia, não escrevia,
não conseguia falar em voz alta.
Não olhava nos olhos.

Nos primeiros dias, sentava no canto. Cabeça baixa. Não falava.


Mas vinha. Todo dia, voltava.

Ninguém pediu pra ele se apresentar. Ninguém insistiu pra ele participar mais. Os educadores deixavam ele ali, no tempo dele.

Ele desenhava. Era o que fazia.
E alguém notou.

Os desenhos ganharam espaço nas paredes.
Ele ganhou espaço no grupo.

* Todos os nomes de crianças e adolescentes neste relatório são fictícios, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e à preservação de sua identidade.

Para entender o que aconteceu depois,
precisamos primeiro conhecer o Instituto Rizomas.

Role para baixo

O Território

Capão Redondo, zona sul de São Paulo.

0anos

Expectativa de vida nos distritos de alta renda de São Paulo.

0anos

Expectativa de vida no Capão Redondo.

Quase vinte anos de diferença.
Dependendo do CEP onde a pessoa nasce.

0º

de 96 distritos de São Paulo.
Essa é a posição do Capão Redondo.

Fonte: Mapa da Desigualdade 2024 — Rede Nossa São Paulo

0%

dos atendidos pelo Rizomas vivem com menos de R$800 por mês.*

*Renda per capita familiar

Altos índices de violência contra a mulher e violência racial. Evasão escolar. Acesso limitado à saúde, cultura e educação. Tráfico de drogas em mais esquinas do que quase qualquer outro lugar da cidade.

É nesse contexto que o Instituto Rizomas atua.

2017

Relatório de Mensuração de Impacto Social

O Instituto

O Rizomas nasceu em 2017 como um projeto voluntário aos domingos na Portelinha, uma das comunidades mais precárias do Capão Redondo. Em 2021, virou Instituto. Em 2023, passou a atender diariamente 100 crianças em contraturno escolar.

"Promovemos educação de qualidade para que toda criança seja um agente de transformação do seu meio."

Entrega e Alcance em 2025

Contraturno Escolar

Segunda a sexta. Português, matemática e inglês. Habilidades socioemocionais integradas.

0

atendidos desde 2021

0

concluíram o ano

Projeto Socioemocional

Domingos. Liderado por voluntários. Foco em regulação emocional e consciência de si e do outro.

+0%

voluntários

+0%

domingos de atividades

+0%

reuniões de planejamento

Rizomas Aberto

Sábados. Porta de entrada pro Instituto. Atividades para famílias. Primeiro ano do programa.

0

eventos abertos

0

encontros

0

participantes no ano

Assistência Social

Apoio direto às famílias do território. Encontros, acolhimento e distribuição de cestas básicas.

+0%

encontros de famílias

+0%

participantes

0

cestas entregues

Quais resultados todo esse
trabalho gerou?

0%

Taxa de alfabetização dos participantes do Rizomas.

Meta MEC 2030
80%
São Paulo atual
58%
Rizomas 2025
96%

Português

0%

dos participantes que não estavam alfabetizados no início do ano aprenderam a ler e escrever.

Matemática

0%

das crianças que não sabiam multiplicar terminaram o ano realizando contas de multiplicação e resolvendo problemas matemáticos.

São resultados que chamam atenção em qualquer contexto.
No Capão Redondo, são fora do comum.

Mas o que esses números dizem
sobre a vida dessas crianças?

Na adolescência, a satisfação com a vida normalmente cai. O corpo muda, as pressões aumentam, o futuro parece incerto. Em contextos de vulnerabilidade, essa queda costuma ser ainda mais acentuada.

No Rizomas, acontece o contrário.

Como os adolescentes avaliam a própria vida (escala 0–100)

45 — ao chegar 73 — após 3 anos
+0%

diferença entre quem acabou de chegar e quem está há 3 anos no programa.

"O Rizomas me trouxe a EU de volta, pra um jeito que eu nunca me vi."

Júlia, 14 anos

Júlia chegou ao Rizomas arrastada pela prima. Sofria bullying na escola, desenvolveu compulsão alimentar, não aceitava abraços. Em casa, tinha medo do pai. Na escola, era a menina que batia.

Hoje vem de segunda a sexta. Conseguiu conversar com o pai pela primeira vez. Ficou mais carinhosa. Melhorou as notas. Cuida da mãe, que sofre de depressão.

"Eu prefiro 50 mil vezes vir pro Rizomas do que pra escola, porque aqui eu posso ser eu mesma."

Por que isso acontece

Para que uma criança num território como o Capão Redondo consiga resistir às pressões do ambiente, absorver conhecimento e usar esse conhecimento para abrir o próprio caminho, ela precisa desenvolver capacidades que a maioria dos programas não mede e poucos sabem como construir.

+0%

Recém-chegados vs.
participantes com 2+ anos.

Orientação ao futuro

Ter sonhos e enxergar caminhos para realizá-los.

+0%

Contraturno (2+ anos) +
socioemocional vs. demais.

Regulação emocional

Reconhecer o que sente, se acalmar, voltar para a tarefa depois de se frustrar.

+0%

Alta presença (≥90%) vs.
baixa presença (≤73%).

Responsabilidade

Cumprir combinados, cuidar dos próprios pertences, manter rotinas.

Essas não são habilidades que somem depois da prova. São ferramentas que a criança carrega para a vida toda — para o próximo ano escolar, para o emprego, para a faculdade, para tudo que o 96% de alfabetização vai abrir de espaço pra elas.

+0%

Alta presença (≥90%) vs.
baixa presença (≤73%).

resistência à pressão de pares.
Num território tomado pela violência e tráfico, isso é proteção concreta.

O Rizomas tem 96% de alfabetização porque constrói primeiro o que permite aprender. A nota é consequência. O que fica é o que a tornou possível.

Autodisciplina tem mais influência no desempenho acadêmico do que inteligência. — Duckworth & Seligman, 2005

Para conhecer todos os efeitos do Rizomas na vida dos alunos, leia nosso relatório científico.

O solo que o programa constrói

Capacidades não crescem no vazio.

Para que uma criança desenvolva regulação emocional, ela precisa de um lugar onde seja seguro errar sem julgamento. Para desenvolver orientação ao futuro, ela precisa de adultos que enxerguem o seu potencial e incentivem elas a alcançá-lo. Para desenvolver responsabilidade, ela precisa de um ambiente com regras claras e justas.

Não estamos falando de segurança física, embora ela também importe. Estamos falando de acolhimento emocional. O tipo que raramente existe na escola superlotada ou na casa onde a sobrevivência vem antes de tudo.

0 de 5

Dos fatores mais ligados à satisfação com a vida dessas crianças,
quatro são do ambiente ao redor delas.

Ambiente seguro e acolhedor

Adulto de confiança

Amizades que puxam pro bem

Reconhecimento de cada passo dado

Os educadores não forçaram o Kaíque a participar. Deixaram ele ali, no tempo dele. Notaram o que ele fazia bem. Deram espaço. É assim que esse ambiente se constrói.

Um adulto de confiança estável é o fator de proteção mais consistente para uma criança em situação de vulnerabilidade — estudo de 40 anos acompanhando 698 crianças em risco. Werner & Smith

Acolhimento emocional é pré-condição para o desenvolvimento cognitivo: adversidade sem relações protetoras compromete o próprio funcionamento do cérebro em formação. Shonkoff, Harvard Center on the Developing Child

"O único local que eles conseguem ser eles mesmos, sem tanta pressão para se encaixar."

Leo, educador

"Um espaço onde as crianças se sentem seguras."

Gabi, educadora

"Fiz mais amizades e me sinto mais confiante."

Jovem participante

"Consigo resolver meus problemas sem usar agressão."

Jovem participante

"Eles me ensinaram o que é afeto."

Tatiane, mãe de quatro filhos

Tatiane vivia com um marido violento e alcoólatra. Usava drogas. Não tinha afeto pelos filhos. Achava que ser mãe era dar comida e teto. Era fria, não abraçava.

Os filhos começaram a frequentar o Rizomas. Nos domingos em família, Tatiane pintava junto com eles. Eram os momentos que ela saía da droga.

A filha mais velha aprendeu no Rizomas a se expressar. Um dia, disse:

"Mãe, eu não gosto de ver você nessa situação. Eu queria ver você bem."

Tatiane saiu das drogas. Saiu do relacionamento abusivo. Desenvolveu afeto pelos filhos. Quando ficou 27 dias internada, o Rizomas apoiou com alimentação e cuidado com as crianças.

Uma criança aprendeu a se expressar. Levou pra casa. Mudou a mãe. A mãe mudou a família.

"Promovemos educação de qualidade para que toda criança seja um agente de transformação do seu meio."

É isso que essa missão significa.

Lembra do Kaíque?

Aquele menino de 13 anos que não conhecia as letras do alfabeto hoje lê livros e escreve poesias. Pesquisa ensino superior. Virou voluntário do programa socioemocional aos domingos.

O menino que sentava no canto com a cabeça baixa hoje ajuda outras crianças a encontrarem a voz delas.

As histórias do Kaíque, da Júlia e da Tatiane são três.
Os dados deste relatório refletem 78.
Em 2026, serão mais crianças com acesso ao que eles encontraram aqui.

Mensuração e relatório por

Social Impact www.socialimpact.com.br